5 sept. 2005

57 - Fernando Távora (25 de Agosto de 1923 - 3 de Septiembre de 2005)

Dá a sensaçao que em todas as suas obras há um elevado grau de implicaçao emocional, penso na Casa da Covilha, a sua casa de familia, e portanto ai e evidente, mas...¿ate que ponto é que em todas as suas obras há essa implicaçao emocional?

Bom, isso explica-se, explica-se porque eu nao sou procurado como arquitecto que trabalha barato, que trabalha depressa, que trabalha muito rapido,... nao e o meu estilo. Habituei-me a esta... nos chamamos em portugues ripanço, quer dizer, trabalhar lentamente, e se for ver ha coisas que levaram anos a fazer. Bom, porque houve um desacerto com a entidade, ou am desacerto..., eu sempre procurei as coisas pequenas foram sempre procuradas por amigos, uma casa, isto e aquilo. E portanto, eu tenho sempre esta presença das pessoas, presença dos monumentos. E choro como una criança, tambem passo a dizer. No outro dia, passaram aqui un filme; a Radio Televisao Portuguesa fez un filme, que passou, e vieram aqui os redactores e durou 1 hora, eu chorei como um menino, percebe? Depois, no outro dia, fui aos meus netos e tambem chorei. Ora bom, mas porque que eu choro tanto? E porque me emociono muito com essas coisas pequenas, as pedras, os lugares, as dificultades, os conceitos das pessoas, o que e que... e muito aquilo que eu consegui fazer das pessoas e, com certeza, aquilo que as pessoas fizeram em min. Quer dizer, este contacto humano... eu tambem, porque eu precurei sempre conduzir os trabalhos como se fossem feitos tambem pelo cliente. Um casamento um bocado dificil. Mas eu procurei sempre, e algunas coisas desisti, elguns trabalhos em que nao havia acordo, em que nao era possivel um acordo, mas, enfim... Tenho, por exemplo, uma obra de um casal, um engenheiro e sua mulher, com dois meninos; era um problema completamente definido, ele encontrou um terreno estupendo, no Porto, na Rua. Gomes da Costa, e nos fizemos um esquema muito bem feito. E um dia o homen chega aqui e diz: "Ja nao faço a casa"
-mas o que e que aconteceu?
-vou-me divorciar da minha mulher
-Entao nao faz?
-Nao, nao faço. A casa era uma casa de especialidade. A mulher queria aquilo para os miudos.
Eu tenho dessas casas umas saudades, tenho umas saudades...

[Extraido del libro "Tavora. Desenhos de viagens/Projectos"]

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Casas de Ferias Ofir, 1957-1958

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